Apostar pela inovação é hoje em día uma estratégia de negócio chave para empresas e organizações na sua tentativa de ser competitivos nos mercados actuais. O primeiro passo é ter acesso à informação científica e tecnológica referente no seu sector, conhecer bem para poder apostar por estratégias inovadoras e melhorar a tomada de decisões. São muitas as técnicas e ferramentas de vigilância tecnológica e inteligência competitiva para aproveitar esa informação e inovar, independentemente do nosso tamanho como empresa ou dos nossos recursos (CTIC); o importante é aproveitar as oportunidades que nos brinda Internet.

Nesta ocasião, conhecemos de perto a Fundação para a Inovação Urbana e Economia do Conhecimento (FIVEC) uma iniciativa institucional que trabalha por impulsionar em rede a inovação, a tecnologia e o conhecimento para o desenvolvimento socioeconómico e competitivo da Comunidade Valenciana no meio global, e onde a vigilância tecnológica e a inteligência competitiva ocupam um lugar central na sua actividade diária.

Falámos com Arturo Ortigosa Blanch, Director Gerente da Fundação para a Inovação Urbana e Economia do Conhecimento (FIVEC).

P: Apresente-nos em sociedade o que é a Fundação FIVEC:

R: A Fundação FIVEC é uma iniciativa da Câmara Municiapl de Valencia criada para promover a inovação e o desenvolvimento tecnológico de todos os segmentos da sociedade valenciana. Desde o princípio, consideramos que é muito necessário e positivo para os empresários, cientistas, emprendedores ou estudantes, entre outros, pôr em marcha Redes de cooperação com as que promocionar e transferir tecnologia e conhecimento aos diferentes agentes sociais.

Além disso FIVEC tem como missão fomentar a Economia do Conhecimento, apostando pela transferência dos avanços tecnológicos, as novas tecnologias e práticas de vigilância tecnológica e inteligência competitiva desde uma vocação didáctica, emprendedora e integradora, onde o trabalho em rede com os actores da mudança resulta chave para a inovação tecnológica, social e empresarial.

P: Quem formam FIVEC?

R: FIVEC está composta por um patronato no qual participam a Câmara Municipal de Valencia, a Câmara de Comércio de Valencia, a Universidade Politécnica de Valencia, a Universitat de Valencia, a Rede de Institutos Tecnológicos da Comunidade Valenciana (REDIT) e a Feira de Valencia, todas estas, entidades dedicadas aos pilares fundamentais do trabalho da nossa fundação: inovação, educação, investigação, tecnologia, cooperação, comércio, entre outros.

P: Como surge a necessidade de pôr em marcha a Fundação FIVEC e apostar pelas redes de cooperação como modelo para melhorar as relaciones Universidade-Empresa?

R: FIVEC é de recente criação, em 2006, e conseguiu-se graças à colaboração dos seus patronos no desenho deste projecto como o instrumento estratégico para dar respostas efectivas às necessidades tecnológicas de diferentes sectores valencianos e promover a inovação urbana, o acesso às novas tecnologias e a transformação produtiva para a denominada Economia do Conhecimento.

E esta missão, num mundo global como o que hoje vivemos, devemos promover-la e gerir-la em rede. De aqui a importância de apostar pela criação e dinamización de redes de cooperação onde científicos e empresários colaboram e trabalham juntos, para a sua posterior transferência à cidadania.

P: Como operam estas redes de cooperação promovidas desde FIVEC?

R: As redes VIT são uma das principais apostas de FIVEC para dar respostas efectivas a problemas concretos. Através destas redes de cooperação se potencian sectores empresariais especializados e prioritarios para a região, como a Saúde, Energia, Falhas, Urbanismo.

As redes VIT de cooperação facilitam processos de promoção e transferência de tecnologia, actividades colaborativas e projectos de I&D, divulgam as capacidades científico-empresariais de Valencia, atraem investimentos e trabalham por gerar oportunidades de negócio, ademais, de melhorar o bem-estar social e a qualidade de vida dos cidadãos na região. Tudo com uma visão de apostar por sectores especializados de actividade.

P: Quem pode participar e beneficiar-se das actividades de FIVEC, bem como de estas redes VIT?

R: Trabalhamos fundamentalmente com a comunidade científica e empresarial da Comunidade de Valencia para, através das nossas actividades, ajudar a impulsionar a economia do conhecimento e que todos estes esforços em transferência de tecnologia cheguem e beneficiem a cidadania.

São numerosas as organizações com as que temos assinados convênios de colaboração.

P: Que serviços podem encontrar pesquisadores e empresas em FIVEC?

R: As fórmulas de colaboração são numerosas e sempre se trabalha por adaptar às necessidades dos nossos utentes. Como serviços principais, em FIVEC podemos encontrar:

As Revistas VIT (Energia e Saúde) nas que publicamos artigos da actualidade científica, tecnológica e empresarial do sector com as últimas actividades e projectos de I&D de membros de VIT Saúde,VIT Energia. Semestralmente distribuem-se ao redor de 1000 revistas, e a cada uma destas tem o seu próprio site onde o conteúdo se actualiza diariamente com novas notícias e actividades interessantes para o sector. Nestes sites, SE pode conhecer os membros participantes, publicações, actividades e novidades, onde se promociona a actividade científica e empresarial dos participantes.

Também temos uma intensa agenda de actividades, na que participamos e organizamos Jornadas, de carácter formativo e noticiário, que abordam temas específicos do sector das ciências e tecnologias da saúde, da energia ou das falhas. Estas actividades fomentam o networking e propiciam a colaboração entre os membros da rede, empresários, pesquisadores, profissionais e demais assistentes. Nestes momentos estamos a preparar uma nova edição de INTERBIO International Meeting que celebrar-se-á em Valencia nos próximos 17 e 18 de Novembro.

Outras publicações interessantes são os Boletins de Vigilância Tecnológica, que recolhem as últimas novidades de patentes, nacionais e internacionais, nos principais âmbitos de actividade do sector. Estes Boletins são de carácter mensal e formato digital pelo que se enviam por correio electrónico a mais de 750 destinatários.

Temos também um Catálogo anual, especializado na área de Saúde, no que os membros de esta comunidade têm a oportunidade de promocionarse e divulgar as suas actividades inovadoras. Distribuímo-lo em jornadas e eventos dirigidos ao sector, graças à participação tanto dos próprios membros como das entidades de apoio de âmbito nacional e internacional com as que colabora FIVEC. Repartem-se ao redor de 1000 instâncias.

P: São muitas as vantagens que um profissional interessado em inovar pode obter da Vigilância Tecnológica, no entanto ainda estamos numa fase inicial no uso produtivo generalizado destas práticas por parte de empresas, pesquisadores e profissionais. Umas práticas com as que conseguem melhorar notavelmente o conhecimento e gestão de informação estratégica para o seu negócio e orientar a tomada de decisões, apostando por estratégias de negócio diferenciadoras no mercado.

P: Desde vossa experiência, quais são os principais benefícios que vossos utentes conseguem quando começam a implementar técnicas e ferramentas de vigilância tecnológica?

R: Numerosas, implementar actividades de vigilância tecnológica e inteligência competitiva na nossa organização traz muitas e diferentes vantagens, por exemplo:

  • Permite estar ao dia com os avanços tecnológicos nas suas diferentes linhas de acção.
  • Conhecer que empresas e países podem ser líderes em determinadas áreas tecnológicas de interesse para a organização e sector, bem como quais podem ser mercados atraentes para entrar.
  • Detectar tecnologias emergentes, encontrar tecnologia disponível que pode dar mais valor ao meu negócio e, obviamente, saber também quando uma tecnologia inicia a sua fase de obsolescencia para tomar decisões e apostar por estratégias diferenciadoras no mercado.
  • Neste sentido, conhecer a informação relevante na sua actividade profissional é crucial hoje em dia para tomar as decisões acertadas, no momento adequado, com a melhor tecnologia e sócios, para progredir no mercado.

P: Demonstra-se como estas organizações melhoram a sua actividade profissional com a vigilância tecnológica e inteligência competitiva?

R: Por suposto, notavelmente. Por exemplo, as empresas são as primeiras em reconhecer mercados com possível interesse para entrar, ampliando as suas possibilidades de negócio, e inclusive se querem apostar pela internacionalización, a vigilância tecnológica é chave. No caso dos pesquisadores, poupam tempo e esforço evitando erros como por exemplo conhecendo de antemão outros trabalhos já realizados por diferentes grupos de investigação e valendo-se destes para melhorar os seus próprios desenvolvimentos. E estão em maior capacidade de desenvolver ou aplicar novas invenções de livre disposição.

P: Que trabalho nos fica por diante para generalizar o uso estratégico da vigilância tecnológica em empresas e investigadores?

R: Fica-nos por conseguir uma maior consciencialização nas empresas em todos os níveis organizativos, começando pela Alta Direcção e chegando a todos os empregados. Além de que é necessário aumentar a capacitação no uso de ferramentas de apoio para este labor, principalmente na PME que é onde mais carências detectamos; e melhorar a capacitação na interpretação de gráficos, sinais e indicadores de Vigilância Tecnológica e Inteligência Competitiva para promover sua adequada exploração.

P: Que considera importante para que uma empresa ou grupo de investigação comece a implementar um sistema de vigilância tecnológica em sua organização?

R: O trabalho em equipa é fundamental, bem como destinar algo de recursos e tempo para vigiar e, sobretudo, sistematizar o labor de vigilância. É importante designar um responsável, que seja um grande conhecedor da área tecnológica e seus princípios de governo, com bom domínio do inglês técnico, bem como um conhecimento e manejo de ferramentas de procura de informação e vigilância; coordenado com engenheiros/científicos e apoiado por documentalistas; juntos podem fazer grandes equipas, mas não é excluyente.

P: Nesta missão de concienciar sobre a importância de utilizar a informação científica e tecnológica disponível e especializada por sectores através da vigilância tecnológica e a inteligência competitiva que reptos de actuação têm?

R: Em FIVEC o facto de que a vigilância que realizamos seja por sectores, é um labor que pretende orientar ao colectivo com o que trabalhamos para umas linhas de desenvolvimento e conhecimento estratégicas; depois a eles lhes toca um labor mais específico.

Pensar em reptos é pensar em redes, como construir redes de cooperação e trabalho em rede através de Internet, onde os membros destas comunidades interactuén entre si, favorecendo sinergías e oportunidades de negócio; trocando opiniões e experiências com especialistas; apostando por abrir-se à internacionalização e novos mercados tecnológicos, entre outros.

P: Apostar por implementar oportunidades tecnológicas no nosso negócio não é exclusivo de sectores emergentes, senão de qualquier tipo de empresa. Na Comunidade Valenciana predominan os sectores tradicionais, que papel jogam estes sectores na actividade FIVEC?

R: A vigilância tecnológica não é exclusiva de nenhum sector nem tendências, e supõe uma ferramenta estratégica na aposta das PME pela inovação e o desenvolvimento tecnológico.

Por exemplo, as Falhas (festas tradicionais) são um sector muito tradicional e forte neste território, além de que se baseia numa indústria de carácter artesanal, o que o faz ainda mais peculiar; e está inmerso num processo de inovação e criatividade sem precedentes. Para este sector desde FIVEC temos criado VIT Falhas, com o objectivo de dar serviço a todas as empresas de base tecnológica que rodeiam ao sector e que dão emprego a numerosos valencianos, como são a pirotecnia, iluminação, polímeros e materiais ou TICs que ajudam a facilitar a extrapolación dos desenhos realizados pelos artistas, entre outros.

P: Nesta linha, que actividades desenvolvem para reforçar as relaciones Universidade-Empresa e impulsionar a cooperação e o emprendizaje em Valencia?

R: Antes falávamos da importância de actuar em rede e gerar sinergías como estratégias de progresso e competitividade no mundo actual, isto é fundamental para caminhar para uma verdadeira efectividade da cooperação com empresas, instituições e cidadania. As universidades podem orientar os seus trabalhos de investigação a satisfazer necessidades das nossas próprias empresas, e à sua vez, o conhecimento das suas potencialidades e investigações ajuda a favorecer a sua directa implantação na indústria.

P: Quais são os reptos de futuro para FIVEC e as suas redes de cooperação VIT?

R: Decorridos 4 anos desde que a rede VIT Saúde se pusesse em marcha, as redes VIT são um referente e um lugar de encontro para os diferentes agentes envolvidos nos sectores estratégicos da cidade. Dito isto, um dos reptos das redes VIT é continuar sendo a ferramenta ou ponto de encontro dos diferentes sectores facilitando a transferência e criação de novo conhecimento. Mas além de consolidar as actividades já existentes estamos abertos sempre a novas iniciativas que possam redundar em maiores benefícios para nossos membros e para os sectores em Valencia. Para os próximos anos, junto à consolidação das já existentes temos o objectivo de pôr em marcha novas redes em outros sectores como são o sector TIC, a alimentação, a educação ou desporto.

Mais informação: FIVEC

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