Conhecemos o trabalho de TECHNOPOLI, a Unidade de Desenvolvimento Tecnológico do Instituto Politécnico Nacional do México. Um polo tecnológico dedicado à atração de empresas impulsionadoras, com experiência em gestão tecnológica e à geração de projetos de inovação e desenvolvimento tecnológico em colaboração. A vigilância tecnológica é a força motriz da sua atividade.

alamos com Óscar Jorge Súchil Villegas Secretário de Extensão e Integração Social do IPN.

P:Como surgiu a necessidade de lançar TECHNOPOLI?:

R: A Unidade de Desenvolvimento Tecnológico, TECHNOPOLI, criou-se como parte das estratégias desenhadas em 2008 pelo Instituto Politécnico Nacional (IPN) para fortalecer as contribuições científicas e tecnológicas que assegurem a articulação da oferta institucional dos produtos da investigação aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação com as demandas do sector produtivo e social.

Neste palco, TECHNOPOLI nasceu com o propósito de gerir o fluxo de tecnologia e inovações entre o Instituto Politécnico Nacional, as empresas e os mercados.

P:Isto é, trata-se de um modelo de transferência de tecnologia sustentado na colaboração tecnológica entre Universidade e empresas.

R: Sim, TECHNOPOLI é um polo tecnológico focado às empresas impulsionadoras para gerar tecnologia em colaboração.Trabalhamos por impulsionar a criação e o crescimento de negócios tecnológicos mediante a geração centrífuga Spin-offs tecnológicas; proporcionando infra-estrutura e serviços para hospedar empresas intensivas em conhecimento, geradores de novos produtos de vanguarda posicionados no mercado com o apoio do IPN.

P:Que instituições integram TECHNOPOLI?

R: TECHNOPOLI é a soma do esforço de muitos: o Instituto Politécnico Nacional através de nossa Diretora Geral, a Dra.Yoloxóchitl Bustamante Díez, a Secretaria de Economia do Governo Federal; o Dr. Enrique Villa Rivera, ex diretor do IPN no período de 2003-2009 e diretor do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia no ano 2011, e seu criador e visionário o Ing.Óscar Jorge Súchil Villegas, Secretário de Extensão e Integração Social do IPN.

P: Atualmente, qual é a missão principal que define o trabalho do TECHNOPOLI?

R: O nosso trabalho institucional está centrado em diferentes áreas complementares, como:

  • Articular uma vinculação de sucesso entre o sector académico, produtivo e empresarial, apoiando a integração de equipas interdisciplinarios capazes de abordar projetos de inovação e desenvolvimento tecnológico de grande importância para os sectores governamental, industrial e social de México. Também, de promover a geração de sinergias entre ambos e a capacidade de atrair empresas impulsionadoras com experiência na gestão de tecnologia.

  • Dinamizar os processos formativos para o sector produtivo, gerando novas sinergias entre o desenvolvimento e a demanda de novas tecnologias, impulsionando a criação e o crescimento de negócios tecnológicos concentrando as fortalezas do Instituto Politécnico Nacional.

  • Articular a oferta tecnológica institucional em termos da sua infra-estrutura especializada, para favorecer o desenvolvimento de tecnologias que atendem ao mercado e dar viabilidade ao desenvolvimento de projetos tecnológicos; facilitando com isso o encadeamento da tecnologia desenvolvida no Instituto com a atividade económica do país a fim de que os benefícios resultantes possam permear na sociedade.

P:A que tipo de utentes se dirige TECHNOPOLI?:

R: O foco de atenção de TECHNOPOLI são as empresas impulsionadoras, que são aquelas empresas líderes no mercado que requerem inovar os seus produtos de forma acelerada com o propósito de reafirmar dita liderança com novos produtos ao mercado.

Estas empresas, com prestígio nacional e internacional, propiciam o nascimento de empresas de base tecnológica, Spin-off, contribuindo à geração de novos empregos, ativação da economia do país através da transferência de tecnologia do IPN.

P:Em que sectores de interesse se especializa a sua atividade?:

R: O IPN conta com nove redes de investigação que marcam as áreas estratégicas de estudo do Instituto, estas à sua vez, para TECHNOPOLI são temas prioritários de fortalecimento com o sector industrial para gerar inovação tecnológica; e são: biotecnologia, computação, desenvolvimento económico, energia, meio ambiente, nanotecnologia, saúde, telecomunicações, robótica e mecatrónica.

Adicionalmente, no âmbito das TIC, estamos especializados em sectores estratégicos como:Animação 3D, Produção de Vídeo Digital, Maquinado CNC (Controle Numérico assistido por Computador), Impressão de Protótipos 3D.

P:Para levar a cabo este trabalho de intermediação tecnológica dedicam um importante esforço à vigilância tecnológica. Em que consiste?

R: A vigilância tecnológica constitui um eixo motriz da atividade de TECHNOPOLI. Em primeiro lugar, encontra-se o Sistema de Inteligência de negócios, um sistema especializado em vigilância tecnológica que está criado para facilitar a articulação entre os desenvolvimentos tecnológicos gerados no Instituto Politécnico Nacional e as demandas do Sector Produtivo. Por exemplo, permite-nos identificar nichos de mercado, oferecer serviços especializados de inteligência, detetar oportunidades de investimento, etc.

Em segundo lugar, temos incorporado um modelo de Observatório Tecnológico de TECHNOPOLI do IPN (OTTP-IPN). Trata-se de uma plataforma tecnológica que permite a transformação de informação estratégica em conhecimento que contribui valor para a investigação aplicada com um enfoque social e permite a identificação de campos de desenvolvimento estratégicos para poder antecipar a tomada correta de decisões para a indústria privada.

P:Como funciona este Observatório Tecnológico?

R: Através do OTTP-IPN planificam-se e se implementam os processos de inovação que demanda a mudança do meio tecnológico mediante práticas como a comentada de vigilância tecnológica, e outras como: monitoramento tecnológico, estudo do estado da técnica, Benchmarking, estudos de clientes, viabilidade de projetos, projeção económico-comercial, deteção de nichos de oportunidade, vinculação entre academia-empresa e deteção de sinergia entre empresas.

Mediante este modelo do Observatório Tecnológico de TECHNOPOLI temos desenvolvido vários produtos de vigilância tecnológica, como:

  1. Oráculo do OTTP-IPN.
  2. Serviços tecnológicos de informação tecnológica competitiva.
  3. Boletim de vigilância tecnológica.

P:Que interessante, poderia explicar em que consistem estes produtos?

R: Claro:

  1. Oráculo do OTTP-IPN.Emulando aos antigos gregos que contavam com um espaço dedicado à resolução de dúvidas, temos criado “O Oráculo”, um espaço académico que brinda a oportunidade de aproximação à informação especializada, estratégica e de valor cuja aplicação se foca à solução de necessidades de inovação tecnológica dos utentes, onde se formulam perguntas específicas para poder inovar e criar vantagens competitivas que levam ao sucesso, concentradas nos suportes tecnológicos que alberga.

Através de uma rede de conhecimento articulada por diversos nós, o utente pode fazer uso das diversas ferramentas tecnológicas, sistemas computacionais especializados e bancos de dados com fontes de informação técnicas. Atualmente, três nós conformam a rede de conhecimento que estamos a articular, um software especializado em inovação tecnológica: IHS Goldfire, um sistema de cienciometria de patentes: Matheo Patent e um sistema de informação empresarial. Dentro do Oráculo tem-se acesso a diversas ferramentas que institucionalmente o IPN nos proporciona, SciVerse Spotlight e SciVerse Scopus, entre muitas mais; e também está ligado às ferramentas de vigilância tecnológica do OVTT.

Para ter acesso a este espaço, é necessário seguir os alinhamentos que regem o seu uso e operação, além de contar com um registo anteriormente validado.

  1. Serviços tecnológicos de informação tecnológica competitiva. É a atividade referente à Inteligência Tecnológica Competitiva realizada no OTTP-IPN, geralmente traduz-se em estudos especializados em diferentes vertentes como o são vigilância tecnológica, determinação do estado da arte, informação tecnológica estratégica, documentação de propriedade intelectual, colaborando com entidades especializadas a nível nacional e internacional para o intercâmbio de boas práticas em matéria de Inteligência Tecnológica Competitiva, inovação e desenvolvimento tecnológico.
  1. Boletim de vigilância tecnológica. É o nosso principal médio eletrónico de difusão, através do qual se compartilha informação acerca de desenvolvimentos tecnológicos protegidos, eventos destacados portadores da geração de I¬D incluindo projetos e notícias das áreas da ciência que como Observatório Tecnológico monitorizamos.

P:São muitas as vantagens que um profissional interessado em inovar pode obter da Vigilância Tecnológica, no entanto ainda estamos numa fase inicial no uso produtivo generalizado destas práticas por parte de empresas, investigadores e profissionais. Desde a vossa experiência, quais são os principais benefícios que estas empresas inovadoras conseguem quando começam a implementar práticas de vigilância tecnológica?

R: São múltiplos, mas podemos sintetizar nas seguintes vantagens ou benefícios para a organização:

  • Antecipar mudanças:é uma tarefa básica da Vigilância Tecnológica, identificar novas tecnologias, maquinaria, processos, mercados e competidores implementando uma procura constante.
  • Reduzir riscos:envolve uma captação e deteção de ameaças tanto de patentes, produtos, regulações, alianças e novos investimentos.
  • Detetar ameaças:preparar-se para as mudanças do meio:político, ambiental, social, económico, normativo.
  • Progredir:detetar deslocamentos entre produtos e necessidades do cliente e o mercado, entre as nossas capacidades e as dos competidores.
  • Inovar: localizar novas ideias e soluções através do programa de I&D e a sua estratégia com base nos projetos e na deteção de oportunidades de investimento e comercialização.
  • Cooperar:identificar novos sócios, clientes e especialistas para facilitar a incorporação dos avanços tecnológicos quanto a produtos e processos.

P:Nesta direção, que trabalho considera que é necessário seguir fazendo para sensibilizar sobre as vantagens e possibilidades da vigilância tecnológica?

R: Desde TECHNOPOLI consideramos fundamental continuar trabalhando na sensibilização às empresas sobre a importância de dedicar esforços à vigilância tecnológica.

  • Difundir o poder de uma ferramenta para a gestão da inovação e a tecnologia, como a vigilância tecnológica, entre os integrantes da comunidade politécnica através de cursos e workshops especializados sobre o tema e orientados a aprender desde o ponto de vista prático.
  • Realizar eventos com especialistas no tema.
  • Gerar estratégias de colaboração com outros observatórios tecnológicos e com unidades de inteligência tecnológica para complementar funções, pertencer a redes de especialistas para contar com a nossa participação gerando comunidades de prática em torno a temas especializados: inovação tecnológica, vigilância tecnológica, inteligência de negócios, projetos tecnológicos, spin-offs, spin-outs, vinculação triplo hélice, parque tecnológico, fontes de financiamento.

P:Para finalizar esta interessante conversa, na sua opinião, quais são os retos de futuro de TECHNOPOLI?

R: Destacaria as seguintes ideias:

  • Contar com normativas aplicáveis às funções de TECHNOPOLI e proporcionar negócios tecnológicos no IPN.
  • Gerar uma difusão de sucesso do seu modelo, produtos e serviços para o interesse do sector empresarial
  • Sistematizar a informação de valor e o conhecimento do IPN de forma a cobrir as necessidades das empresas que precisem e desejem desenvolver inovação tecnológica com os investigadores do IPN.
  • Garantir o funcionamento completo da criação de Empresas de base Tecnológica, os esquemas de regalias que beneficiem ao IPN, a empresa impulsionadoras e a spin-off gerada.
  • Diversificar e em temas de Prospetiva Tecnológica.

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