Hoje em dia a existência de parques científico-tecnológicos posiciona-se como um fator relevante para melhorar a competitividade económica e social duma região. A recente Lei da Ciência Espanhola define-os como lugares estratégicos para a transferência de resultados de investigação aos setores produtivos e a melhora da capacidade de inovação das empresas dum território. Além disso, estão cada vez mais a assumir um papel estratégico como facilitadores das relações entre a comunidade científica e as empresas.

Falamos com Joaquín Marhuenda, novo responsável do Parque Científico de Alicante (PCA) desde o passado mês de Junho, quem nos fala da nova etapa que assume à frente deste projeto.

P: Como define o Parque Científico de Alicante?

R: O PCA é um projeto de grande envergadura, promovido pela Universidade de Alicante, e cuja missão principal é promover a cultura empreendedora e da inovação na província de Alicante, através do fomento da transferência de conhecimento. Também, contamos com uma localização estratégica que facilita a nossa atividade, estamos muito próximos do campus universitário e com excelentes conexões por estrada, caminho-de-ferro, aeroporto e porto marítimo.

Entendemos este parque científico como um lugar de encontro aberto à inovação empresarial. Foi criado e é gerido atualmente para facilitar o acesso do conhecimento científico e tecnológico às empresas, fundamentalmente aquelas interessadas na procura de novas fontes de inovação e oportunidades tecnológicas. Pouco a pouco, converteu-se num espaço onde convivem empresas inovadoras, grupos de investigação e Laboratórios mixtos de I&D criados desde a colaboração Universidade – Empresa, que compartilham serviços científico-técnicos de grande valor acrescentado e contam com o assessoramento especializado de profissionais e especialistas.

O PCA dá apoio à criação de empresas de base tecnológica e impulsiona o seu crescimento como negócios inovadores, proporcionando mecanismos de incubação, serviços especializados e facilitando o acesso a infra-estruturas e instalações de grande qualidade.

P: Como responsável atual do projeto, qual é o seu principal cometido para impulsionar a promoção do Parque?

R: Assumo o grande reto de consolidar este mecanismo promovido pela Universidade de Alicante para favorecer os canais de comunicação entre o setor produtivo e a Universidade e, com isso, gerar emprego de alta qualificação e contribuir ao desenvolvimento económico sustentável de Alicante. É importante destacar que o projeto conta com objetivos próprios e pretende aglutinar a todo o sistema científico e produtivo da nossa província.

P: Que tipo de empresas e organizações podem fazer parte do PCA?

R: O Parque concebe-se com diversidade e está aberto a todo o tipo de entidades inovadoras, tanto àquelas surgidas desde a Universidade como a todas as que conformam o meio produtivo da província de Alicante. O importante é que tenham em comum esse interesse por aproveitar oportunidades do conhecimento científico e tecnológico para melhorar a sua capacidade de inovação e competitividade empresarial.

É importante destacar que nem todas as empresas vinculadas ao Parque devem ser de nova criação. Para um desenvolvimento óptimo, são necessárias também empresas consolidadas capazes de atuar como tratoras, que geram um efeito multiplicador e atraiam a outras empresas interessadas na inovação e na geração de conhecimento. Isto, à sua vez, ajuda a potenciar o desenvolvimento de novas linhas de investigação e a geração de conhecimento adicional na Universidade de Alicante.

Por outro lado, as empresas interessadas em vincular-se ao Parque podem fazê-lo de diferentes formas, abarcando desde a instalação física das suas unidades específicas, como departamentos de I+D e inovação, até diferentes modalidades de colaboração que lhe permitirão aceder a serviços específicos ou colaborar em projetos e atividades de I&D conjuntas.

P: Na atualidade, que tipo de serviços especializados podem encontrar as empresas no PCA?

R: Nestes momentos, as empresas vinculadas ao parque têm acesso a uma série de serviços de alto valor acrescentado focados a favorecer a consolidação e o sucesso empresarial.

Entre estes, oferecemos serviços como:

  • Serviços Técnicos de Investigação com infra-estrutura científico-tecnológica de grande envergadura, bem como pessoal altamente qualificado capaz de manejar todo o tipo de equipamento.
  • Serviços de assessoramento tecnológico, desenvolvimento de negócio e consolidação empresarial. Por exemplo, apoiamos a nossas empresas na busca de sócios tecnológicos, comerciais ou financeiros para impulsionar projetos inovadores.
  • Acesso a conhecimento científico avançado, fundamentalmente gerado na Universidade de Alicante, que goza de um reconhecido prestígio internacional na geração de diferentes resultados de investigação. Trabalhamos, por exemplo, com a oferta tecnológica da Universidade, uma soma de linhas de investigação que cobrem todas as disciplinas do saber e onde muitas estão orientadas estrategicamente a dar resposta a problemáticas concretas de forma competitiva.

P: Nesta linha, podemos conhecer experiências que se têm desenvolvido com sucesso desde o Parque?

R: Sim, os serviços do Parque contam com uma grande aceitação por parte das empresas intensivas em conhecimento. Por exemplo, são numerosas já as empresas que acedem aos Serviços Técnicos de Investigação e aos serviços de incubação prestados.

No seio do Parque têm-se gestado diferentes iniciativas de Empresas de Base Tecnológica (EBT), com as que atualmente se está a trabalhar nos seus processos de consolidação empresarial. Alguns dos aspectos chave detectados, são os processos de comercialização nacional e internacional e o estabelecimento de alianças estratégicas.

Até à data contamos com as seguintes EBTs:

  • Glen Biotech.Empresa biotecnológica dedicada ao desenvolvimento de produtos inovadores baseados em agentes de controle biológico, em particular fungos contra pragas de plantas agrícolas e ornamentais, apostando por soluções sustentáveis a grandes problemas do meio ambiente. Presentemente, se encontra registrando o seu primeiro produto de controle biológico desenvolvido especificamente para a luta contra o caruncho vermelho das palmeiras.
  • Olax22. Empresa de base tecnológica surgida do departamento de Engenharia Química da Universidade de Alicante. A sua atividade principal centra-se na resolução de problemas meio ambientais da indústria de impressão gráfica, através da valorização de resíduos e a redução de custos.
  • Gas to Materials Technologies. Esta spin-off da Universidade de Alicante foi criada com o objetivo de desenhar e desenvolver principalmente sistemas automáticos de análises de adsorção química e adsorção física, para a caracterização de materiais adsorventes e catalizadores, com métodos estáticos e dinâmicos. São utilizadas em campos que apresentam grande interesse, como são as aplicações energéticas e meio ambientais como a captura, transporte e armazenamento de CO2.
  • BioFlyTech. Empresa biotecnológica centrada na criação em massa e controlada de insetos para a sua comercialização. O produto utiliza-se para a elaboração de rações em aquicultura e gado, a alimentação de mascotes e outros usos específicos.
  • Medalchemy. Empresa de base tecnológica centrada no setor da química fina e, mais concretamente, em especialidades farmacêuticas. Desenvolvem investigação aplicada em síntese a pequena escala e escala de planta piloto de novos princípios ativos de alto valor acrescentado, na sua maioria produtos associados à saúde.

Com respeito a iniciativas resultantes da colaboração entre Universidade e empresas, podemos destacar duas experiências interessantes para nós:

Laboratório misto de investigação com a empresa de automobilismo Grupo Antolín Engenharia, centrado no desenvolvimento de nano-fibras de carbono com diferentes aplicações.
Projetos Universitários de Energias Renováveis, empresa do setor energético que se criou fruto de um acordo entre as atuais Green Power Espanha e Banco Sabadell-CAM, centrada na investigação de materiais de aplicação a energias renováveis.

P: Que atividades se organizam para dar a conhecer o projeto?

R: Gostaríamos que do Parque Científico de Alicante seja visto pelo nosso meio mais próximo como uma oportunidade empresarial de primeira ordem, tanto para as iniciativas surgidas da Universidade de Alicante, como para as organizações empresariais da província.

Para isso, temos preparado um plano de difusão do Parque que persegue dar a conhecer ao meio produtivo os serviços de valor acrescentado que oferecemos às empresas intensivas em conhecimento. Por exemplo, desenvolvemos material promocional e recentemente organizamos uma série de jornadas encaminhadas à promoção da inovação e o fomento das iniciativas empresariais de base tecnológica, objetivos específicos do PCA.

São atividades que nos permitem trabalhar com empreendedores tecnológicos e empresas inovadoras de áreas estratégicas para a competitividade empresarial de hoje em dia, como as oportunidades de negócio que podem surgir desde a cooperação ou a importância de uma adequada gestão da propriedade industrial e intelectual.

P: Para finalizar, que reflexões sobre os retos de futuro resultam do vosso trabalho?

R: O acesso ao conhecimento e à transferência tecnológica são aspectos chave para garantir o sucesso desta tipologia de empresas. O sucesso do Parque e das empresas nele instaladas será maior na medida em que seja considerado pelo seu meio como um dinamizador de propostas empresariais e uma alavanca básica do desenvolvimento futuro da província de Alicante. O alcance do Parque favorecerá a cultura da inovação, a criação de postos de trabalho qualificados e a transferência de conhecimento entre a Universidade e as Empresas, o que sem dúvida resulta chave para superar os difíceis momentos pelos que atravessamos.

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