More than Green é uma plataforma que quer demonstrar que a sustentabilidade é algo mais que uma questão meio ambiental: é cultura, economia e sociedade. O projeto apresenta a modo de enciclopédia multimédia on-line exemplos reais que constituem boas práticas em matéria de sustentabilidade nos campos da arte, tecnologia, arquitetura ou política. A sua missão é converter-se numa ferramenta de divulgação, formação e comunicação em Internet que nos ajude a compreender a sustentabilidade.

Falamos com Vicente Iborra e Iván Capdevilla, promotores do projeto, arquitetos e professores de Projetos Arquitetónicos e Urbanismo, respetivamente, da Universidade de Alicante.

P: Como podemos definir “MORE THAN GREEN”?

R: More Than Green (MTG) é um projeto educativo em matéria de sustentabilidade ampliada para um público não especializado, que aborda o tema desde a sua perspetiva meio ambiental, social, económica e cultural.

P: Quem o promove?

R: O projeto está promovido por PLAYstudio e desenvolvido por uma equipa empreendedora, formado por: Iván Capdevila e Vicente Iborra, professores da Universidade de Alicante do curso de Arquitetura, a arquiteta Julia Cervantes Corazzina como editora de conteúdos e contamos com as contribuições de Ku-Chian Ju e Jay Lee Joe desde China e Korea, respetivamente.

P: Por que surge a necessidade de impulsionar MTG?

R: As novas políticas mundiais, impulsadas pelos grandes líderes mundiais levam muitos anos dizendo-nos que o problema da insustentabilidade do meio ambiente não deve ser tratada como uma causa senão como a consequência dum problema maior: a insustentabilidade dos modelos sociais e do sistema económico imperante nos nossos dias.

Apesar de que a cada vez mais os nossos governos parecem estar consciencializados desta visão ampliada da sustentabilidade, os mecanismos de comunicação, divulgação e formação em matéria de sustentabilidade não resultam acessíveis para a maioria da população. Por exemplo, a quantidade de protocolos, cartas, acordos, etc., são em muitos casos apresentados à sociedade diretamente como textos altamente tecnificados e, por tanto, incompreensíveis.

Também, desde o mundo da docência, sempre soubemos que a melhor maneira de educar não é através de grandes teorias senão de pequenos exemplos. E é aqui onde surge o projeto More than Green, como resposta a esta necessidade social de informação e compreensão do tema para construir a nossa consciencialização social.

P: Em que consiste esta visão ampliada da sustentabilidade que se propõe desde MTG?

R: O conceito More Than Green pode-se corresponder com perceber a sustentabilidade desde uma visão ampliada, isto é abordando a sua dimensão meio-ambiental, social, económica e cultural. No projeto esta se manifesta através da seleção de exemplos e casos práticos relevantes que são narrados, sempre com material multimédia e textos comprimidos, com o mínimo de vocabulário técnico.

P: Como se articula MTG através da Internet?

R: A presença digital de MTG estrutura-se através do site http://www.morethangreen.es/. O seu eixo é o blog, ao qual gostamos de chamar “Enciclopédia multimédia da sustentabilidade”.

Este repositório on-line de informação é a primeira iniciativa que lançamos do projeto por duas razões: primeiro, porque quando começamos o projeto há dois anos, o blog era a ferramenta digital que tínhamos ao nosso alcance; segundo e fundamental, nos países desenvolvidos (os principais culpados do problema da sustentabilidade) quase 70% do acesso à informação produz-se já através de Internet (um exemplo, “Internet converte-se na principal fonte de informação científica”).

P: Para que tipo de públicos está criada esta plataforma virtual?

R: MTG está aberta e pensada para todo o tipo de utentes que estejam interessados na sustentabilidade. No entanto, pensamos que nós, como académicos, a partir do conhecimento especializado e a divulgação científica que realizamos podemos ter uma maior capacidade de influir nas condutas e decisões que a sociedade vai adotando sobre o futuro comum. E esta influência, num contexto democrático como o atual, se tem de desenvolver com e para os cidadãos, que somos afinal de contas os que temos nas nossas mãos a possibilidade de votar.

Assim, estamos convencidos que se queremos fazer algo relevante para promover uma maior sensibilização da sustentabilidade, temos que o fazer de maneira indireta, por exemplo: através da educação de políticos, técnicos municipais e, sobretudo, informando aos cidadãos que votam.

Em definitiva, tentamos desenvolver conteúdos digitais para todo o tipo de utentes, por exemplo temos disponível uma página de consulta mediante links aos principais textos de referência, bem como um apartado dirigido a crianças, onde através de vídeos explicamos conceitos muito básicos como que é a sustentabilidade, o que é a impressão ecológica, por que o modelo de cidade compacto europeu é melhor que o de disperso anglo-saxão, etc.


Fonte: http://www.morethangreen.es/cual-es-tu-huella-ecologica/

P: Para dar a conhecer e fomentar a utilização da plataforma, que atividades se fazem?

R: A principal atividade é o próprio site: http://www.morethangreen.es. Nestes dois anos de atividade, o projeto conseguiu interessar a utentes de mais de 90 países do mundo que nos visitam diariamente. No contexto Ibero-Americano o projecto é seguido com especial interesse desde países como México, Colômbia, Argentina ou Chile.

Para isso, é importante o esforço de tradução linguística que estamos a desenvolver. Atualmente, o site está disponível em quatro línguas: espanhol, inglês, chinês e coreano. Estes dois últimos são possíveis graças ao recente apoio de instituições como o Ministério de Assuntos Exteriores e Cooperação através da Embaixada de Espanha em Seul, que apoiam a iniciativa para a tradução dos conteúdos ao contexto asiático.

Outras atividades que levamos tempo desenvolvendo são, por exemplo, práticas para crianças, como o que promovemos com o apoio de CAMON em Alicante sob o nome Meios Futuros ou Gerações Futuras, e nos quais juntamos a crianças de primária com estudantes universitários para reflexionar e construir de maneira conjunta imagens de cidades futuras sustentáveis.

POP-UPchitecture: 2nd Future Environments Future Generations Workshop from PLAYstudio on Vimeo.

Também, apresentamos o projeto em congressos de sustentabilidade por todo mundo, visitando recentemente cidades como Barcelona, San Sebastián e Kyoto. Este esforço em divulgação científica está a permitir-nos que as principais autoridades intelectuais em matéria de sustentabilidade conheçam MTG e nos façam referência em diferentes meios, permitindo que o projeto siga crescendo.

P: Quais são as barreiras mais importantes que encontram ao empreender este projeto?

R: A principal barreira é a própria sustentabilidade do projeto. Chega um momento no que o seu sucesso nos obriga a dedicar mais tempo do que podemos dispor e isto nos obriga a procurar fundos. Tentamos conseguir algum tipo de patrocínio para além do proporcionado pelo Ministério, mas em Espanha hoje em dia isto resulta complicado.

Estamos a estudar opções nas que sejam entidades estrangeiras as interessadas em colaborar nesta iniciativa. MTG é um projeto criado com visão global, desenvolvido através de Internet e inovador, na medida em que não existe nada similar em língua espanhola, inglesa ou chinesa. Felizmente, o projeto tem cada vez mais aceitação, ampliando pouco a pouco o público a utentes não especializados.

P: Até o momento, o projeto conta com diversos reconhecimentos. Quais têm sido?

R: Além das visitas dos utentes, resulta importante o reconhecimento do mundo intelectual que estamos a receber. São cada vez mais as autoridades que fazem referência ao projecto, como José Fariña, Ecosistema Urbano ou a Asociación Sostenibilidad y Arquitectura (ASA).

E também os convites a congressos internacionais sobre sustentabilidade e educação.

E, por último, os prémios, por exemplo, antes do Verão passado o projeto MTG foi selecionado para representar Espanha na VIII Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo e recentemente, foi premiado pela Fundação Banco Santander no concurso Talentos Design’12.

P: Desde o vosso ponto de vista como empreendedores, que valor contribui esta iniciativa ao trabalho como arquitetos?

R: O principal valor é o da auto-formação. Educar obriga-nos a aprender continuamente e estar ao dia de todo o que passa ao nosso arredor. O trabalho de PLAYstudio, onde surge More Than Green, sempre se explica desde a relação entre três campos: o docente (como professores universitários), o investigador (como doutorandos) e o profissional (como arquitetos).

P: Para finalizar, que reflexões sobre os retos presentes e futuros surgem deste trabalho?

R: A nossa visão da sustentabilidade, não deixa de ser a nossa. Por isso o nosso novo objetivo é convidar outra gente a contribuir no projeto para assim criar uma rede de pessoas a nível mundial que contribuam com a sua visão sobre a sustentabilidade ampliada.

P: Para finalizar, têm perspetivas para internacionalizar e abrir-se à cooperação?

R: Na atualidade, começamos a realizar alguns contactos com gente de lugares tão dispares como Índia, Egito, EUA, Alemanha, Coreia do Sul ou Taiwan. Um primeiro passo esperemos que seja a celebração do More Than Green International Summer Course que se vai celebrar na Universidade de Alicante durante o mês de Julho próximo e no qual contaremos com a participação de professores tão destacados como Matthias Schuler, Alfredo Brillembourg ou Belinda Tato e José Luís Vallejo.

Esperemos que nuns meses o projeto tenha dado um salto definitivo para a sua constituição como rede de conhecimento aberto, otimista e entusiasta dum futuro sustentável. Esse é nosso objetivo e esperança.

Mais informação: More Than Green

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